Os
ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da
Presidência, Miguel Rossetto, informaram neste domingo (15) que a
presidente Dilma Rousseff anunciará uma séria de medidas de combate à
corrupção e à impunidade nos próximos dias. Eles não detalharam quais
ações serão tomadas, mas afirmaram que o governo está "aberto ao
diálogo" para tratar das propostas. Cardozo
e Rossetto concederam entrevista coletiva no Palácio do Planalto para
comentar as manifestações que tomaram as ruas de cidades de todo o país
neste domingo. Só em São Paulo, de acordo com a Polícia Militar, um
milhão de pessoas se reuniram na Avenida Paulista. Em Bra´silia, tambpem
segundo dados da PM, foram cerca de 45 mil pessoas na Esplanada dos
Ministérios. “O governo, que tem uma clara postura de combate a
corrupção, que ao longo desse últimos tempos tem criado mecanismos que
propiciam as investigações com autonomia, irá anunciar algo que já era
uma promessa eleitoral: um conjunto de medidas de combate à corrupção e à
impunidade. A postura do governo é que sua posição não se limite a
essas medidas. Estamos abertos ao diálogo”, disse Cardozo. Na
visão de Cardozo, há um "encontro de identidade" nas manifestações
deste domingo que mostra o "desejo de todos braileiros de combate firme à
corrupçãp e à impunidade".
De
acordo com o ministro, parte das propostas que serão anunciadas por
Dilma já estão tramitando no Congresso e precisam ainda de
aperfeiçoamento. “São textos legislativos, alguns complexos, que exigem
análise jurídica. [...] Existem textos legislativos que estão no
Congresso que exigiam leitura muito clara para identificar o que era
necessário para o aperfeiçoamento. Há questões que tratam de pactuações
sobre os poderes distintos, uma vez que o Executivo não tem pode
constitucional para tocar em alguns pontos", completou. Cardozo
também lembrou, conforme vem sendo apontado pelo governo, da
necessidade da reforma política. "A atual conjuntura aponta para uma
necessária mudança no nosso sistema político eleitoral. Na nossa
avaliação é um sistema anacrônico, que ainda temos nos dias de hoje, que
constitui a porta de entrada principal para a corrupção no país. Então,
é preciso mudá-la por meio de uma ampla reforma politica", declarou. Ao
comentar as manifestações deste domingo, o ministro Miguel Rossetto
disse que os protestos partiram de um setor que é crítico ao governo
Dlma Rousseff e que não votou na presidente. Ele destacu, no entanto,
que os protestos são "legitimos". "As manifestações contrárias ao
governo são legítimas. O que não é legítimo é o golpismo, a
intolerância, o impeachment infundado que a agride a democracia",
destacou.
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