Barusco diz que corrupção foi “institucionalizada” no governo Lula



Pedro Barusco chega para depor na CPI da Petrobras.O engenheiro Pedro Barusco confirmou que começou a receber propina em 1997, mas diz que o fez por iniciativa pessoal. O ex-gerente de Serviços da Petrobras diz, no entanto, que a corrupção da Petrobras foi “institucionalizada” a partir de 2003 ou 2004, já no governo Lula. Antes, disse, era de forma isolada. A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (10), durante a CPI da Petrobras, que investiga o esquema de corrupção na estatal.
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Em três depoimentos prestados à Polícia Federal do Paraná, em novembro do ano passado, Barusco admitiu ter recebido propinas de empresas contratadas pela Petrobras de 1997 a 2013. Ele detalhou, dentro do processo de delação premiada que corre na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), como teria funcionado o esquema de desvio de recursos da estatal a partir de 2003, principal foco da comissão.
Barusco disse ter recebido cerca de US$ 97 milhões de dólares em propina nesse período e nomeou outros supostos beneficiários do esquema, bem como as empresas contratadas pela Petrobras responsáveis pelos pagamentos. Ele disse ainda que parte da propina era destinada ao PT e tinha como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.
Nos depoimentos, ele admitiu ter recebido propinas durante o período em que ocupou os cargos de gerente de Tecnologia na Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras e quando era subordinado ao então Diretor de Serviços, Renato Duque. Ele saiu da Petrobras em 2011 para ocupar cargo executivo na empresa Setebrasil, constituída para construir sondas de exploração do petróleo do pré-sal em contratos com a Petrobras. Ele disse ter recebido também propinas quando era diretor da empresa.
Alívio
O engenheiro Pedro Barusco disse estar aliviado por ajudar no repatriamento do dinheiro que possui em contas no exterior. Ao responder uma pergunta do relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), ele disse que entrou em um “caminho sem volta”.
”Eu tive a fraqueza de começar. Primeiro, eu fiquei feliz [com as contas no exterior] e isso virou um pânico. Agora estou aliviado por estar ajudando na repatriação. Eu não recomendo para ninguém. É muito doloroso”, disse.

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