EFE-Milhares de
brasileiros voltaram às ruas neste domingo para protestar em várias
cidades do país contra a corrupção e para exigir a saída da presidente
Dilma Rousseff, cuja popularidade está em níveis mínimos apesar de ter
chegado apenas ao 102º dia de seu segundo mandato.
Os protestos foram
convocados nas redes sociais pelos mesmos movimentos que se dizem
independentes dos partidos políticos e que em 15 de março conseguiram
reunir cerca de dois milhões de manifestantes em dezenas de cidades.
Milhares de pessoas foram às ruas neste domingo em protesto contra o governo. EFE/Sebastião Moreira
O número de
manifestantes neste domingo, no entanto, foi muito inferior ao do mês
passado, o que foi minimizado pelos organizadores e ignorado pelo
governo, que nesta oportunidade se absteve de alinhar ministros para dar
respostas.
Em São Paulo, um dos
principais redutos da oposição e que no mês passado registrou um
histórico protesto com cerca de um milhão de pessoas, a passeata de hoje
reuniu 275.000 manifestantes, um quarto do número de março, segundo o
primeiro cálculo divulgado pela polícia.
Em Brasília o número de
manifestantes caiu dos 50.000 contabilizados pelas autoridades em 15 de
março para os cerca de 25.000 que, segundo a polícia, marcharam hoje
pela Esplanada dos Ministérios.
Já no Rio de Janeiro o
número caiu dos 100.000 anunciados pelos organizadores há um mês aos
12.000 que se manifestaram hoje na praia de Copacabana, e em Belo
Horizonte dos 20.000 de 15 de março para 5.000 que a polícia calculou
neste domingo na Praça da Liberdade.
"A questão não é o
número de pessoas. Menos gente nas ruas não significa menor
insatisfação; ao contrário, pode até significar um aumento da
desesperança, o represamento de uma revolta que pode retornar mais forte
depois de algum tempo", afirmou em seu blog Marina Silva, terceira
candidata mais votada nas duas últimas eleições presidenciais.
Os organizadores dos
protestos admitiram a redução do número de convocados, mas advertiram
que até as pesquisas mostram que a insatisfação continua crescendo e a
aprovação do governo segue em baixa.
Segundo uma pesquisa
divulgada ontem pelo Datafolha, 75% dos brasileiros aprova os protestos e
63% apoia que o Congresso abra um julgamento político visando à
destituição de Dilma, cujo índice de aprovação continua nos 13% que
tinha em março - o menor desde que assumiu -, por sua suposta
responsabilidade no escândalo de corrupção da Petrobras.
Os protestos foram
convocados na internet por grupos sem vínculo político como o Movimento
Vem pra Rua Brasil, Revoltados Online e Movimento Brasil Livre, mas a
oposição rapidamente os apoiou e reforçou o discurso pela renúncia ou um
julgamento político contra a chefe de Estado.
Em todos os protestos os
manifestantes marcharam vestindo camisas com as cores da bandeira
nacional, em sua maioria da seleção de futebol, e carregando cartazes
nos quais expressavam suas reivindicações.
"Fora Dilma", "Fim da
corrupção" e "Fora PT" eram os cartazes - e os gritos - que se repetiam
em todas as cidades, embora não faltassem reivindicações regionais e de
grupos específicos, como professores e sindicalistas.
Os manifestantes, muitos
usando apitos ou batendo panelas, marcharam em clima de paz em cidades
que fecharam suas principais avenidas e que reforçaram a presença
policial para evitar incidentes.
Mesmo assim, em algumas
cidades foram registrados incidentes entre os manifestantes e alguns
grupos minoritários que defendiam uma intervenção militar.
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