Dr. Euvaldo tira dúvidas: Sal é necessário, mas na medida certa


O cloreto de sódio, conhecido como sal de cozinha, é um micronutriente essencial da dieta. Seu valor atravessa a história desde os tempos bíblicos quando provocava desde guerras até poesia (Homero referia-se a ele como substância divina). Na dieta moderna, o sal permanece como o principal ingrediente. A ingestão de sódio abaixo de determinada quantidade, por períodos prolongados, causará alterações no funcionamento normal do organismo. Por outro lado, se a quantidade ingerida exceder à necessária, por períodos prolongados, para este funcionamento normal, efeitos adversos e mesmo toxicidade severa podem ocorrer
 
O organismo precisa de sódio para manter o equilíbrio da água. Grande parte do nosso corpo é composto de água e a quantidade desta água é regulada por mecanismos fisiológicos que incluem a sua obtenção, pelos mecanismos de sede e do comportamento de beber água, e sua excreção, pela eliminação de urina pelo rim. Este sistema de controle está sendo, continuamente, ajustado com a finalidade de manter as melhores condições de volume de água e de concentração de sódio no meio interno. Além do balanço de água, o sódio é fundamental para a transmissão do impulso nervoso, mantendo a função dos nervos e do cérebro, e influenciando diretamente a contração e o relaxamento dos músculos.
 
Quando a quantidade de sódio (sal) que ingerimos é maior do que a necessária, o excesso irá produzir uma retenção hídrica. Água que seria normalmente eliminada vai ficar no organismo, “acompanhando” este sódio pelo mecanismo de osmose, o que causa um aumento de volume de sangue com conseqüente aumento da pressão arterial. A Pressão alta aumenta o risco de aterosclerose, de ataque cardíaco (infarto) e de acidente vascular cerebral (avc, derrame).
 
Já está bem estabelecida a relação de causa e efeito entre consumo excessivo de sal e pressão alta, e dois estudos recentes ampliam as evidências desta relação. O primeiro, publicado na edição de agosto do American Journal of Clinical Nutrition, demonstra que pessoas que ingerem mais sal têm pressão mais alta, independente de variação no gene do angiotensinogênio (molécula que contribui para o aumento da pressão arterial). A conclusão é que as pessoas podem intervir diretamente sobre sua pressão alta (ou impedir que se desenvolva) simplesmente ingerindo menos sal, mesmo que tenham componentes genéticos que favoreçam o desenvolvimento de hipertensão.
 

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