quarta-feira, 3 de julho de 2019

Excesso de exercícios causa mudanças negativas em órgãos vitais, diz estudo

A prática em excesso de exercícios físicos intensos sem o tempo adequado de recuperação provoca mudanças negativas em órgãos vitais como coração, fígado e sistema nervoso central. É o que revela um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.
Além da já conhecida síndrome do overtraining, que desencadeia sintomas como depressão, insônia, irritabilidade, queda na imunidade, perda de apetite e de peso, a pesquisa mostrou que há outras alterações negativas nos órgãos vitais.
O coordenador da pesquisa, professor Adelino Sanchez Ramos da Silva, explicou que a pesquisa vem sendo desenvolvida há 10 anos com estudos em camundongos.
“O diferencial dos nossos estudos, que vêm sendo desenvolvidos há 10 anos, é que, além dessas alterações, nós verificamos, em estudos com camundongos, que o desequilíbrio entre o excesso de exercício físico e o período destinado à recuperação está associado a uma inflamação em músculos esqueléticos, sangue, hipotálamo, coração e fígado”, disse.
Os testes submeteram os camundongos a diferentes práticas de overtraining, como corrida no plano, na subida e na descida, durante oito semanas. Conforme o estudo, o excesso de exercícios fez com que as células musculares ficaram com mais dificuldade de captar a glicose que circula no sangue.
Diante disso, a dificuldade foi compensada tanto pelo coração pelo fígado, que aumentam os estoques de glicogênio. Além disso, o coração apresentou sinais de fibrose e sinais moleculares de hipertrofia patológica. O fígado também teve aumento da gordura que ocorre, por exemplo, em doenças como diabetes e obesidade.
“É importante frisar que, após duas semanas de recuperação total, em que os animais não foram submetidos a nenhuma sessão de treinamento, as alterações inflamatórias no músculo esquelético, no soro e no hipotálamo retornaram aos valores normais, no entanto, o desempenho dos animais continuou diminuído”, afirmou.
Ainda de acordo com o estudo, a conclusão serve de alerta para os indivíduos que treinam em excesso e não respeitam um período adequado de recuperação.
por:
José Cruz/Agência Brasil

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