“O
estudo indica que ciclos completos de sono, incluindo a fase REM,
desencadeiam a potenciação de longo prazo durante o sono, produzindo a
reestruturação e o fortalecimento de memórias duradouras”, afirma
Sidarta Ribeiro, pesquisador da UFRN e coautor do artigo. Este tipo de
resultados corrobora a ideia de que “sestas acima de 90 minutos de um
ciclo completo de sono seriam a melhor opção”, segundo Ribeiro, para
fortalecer as memórias recém-adquiridas. Diante da ideia de criar um
medicamento que produza benefícios semelhantes ao sono, o cientista
reconhece que, apesar de algumas proteínas essenciais ao processo de
consolidação das memórias terem sido identificadas, “não está claro como
aumentar esses níveis”. Outros trabalhos com ratos mostraram
que durante o sono são produzidas mudanças físicas relacionadas à
formação de memórias. Uma equipe liderada por Wen-Biao Gan, da
Universidade de Nova York, publicou há pouco tempo na revista Science como
o aprendizado de uma nova tarefa, caso o animal durma em seguida, leva à
formação de novos espinhos dendríticos, estruturas nos extremos dos
neurônios que permitem a transmissão de sinais elétricos entre eles.
Quando os ratos não dormiam, as estruturas associadas ao aprendizado não
se formavam. Muitas pesquisas tentam agora
dirimir as dúvidas quanto ao papel de cada fase do sono, desde o REM, no
qual sonhamos com mais intensidade, até a mais profunda, na formação de
memórias e, em geral, no aprendizado. No entanto, existe um consenso de
que, enquanto dormimos, em nosso cérebro acontecem muitas coisas
importantes e que o sono não é, de forma alguma, um tempo perdido.
A falta de sono favorece a aparição de falsas lembranças: Além
de mostrar a importância do sono na aprendizagem e na formação de
lembranças, os cientistas observaram também que não dormir não só
prejudica a memória como também favorece a aparição de recordações
falsas. Em um estudo publicado na revistaPsychological Science,
um grupo de pesquisadores dos EUA perguntou a um grupo de 193
participantes quais eram suas lembranças sobre as imagens do voo 93 da
United Airlines que caiu na Pensilvânia durante os atentados de 11 de
setembro. Apesar de não haver imagens do acidente, os 54% de
participantes do estudo que reconheceram ter dormido menos de cinco
horas na noite anterior ao ocorrido garantiram tê-las visto. Entre os
que tinham dormido mais, apenas 33% tinham essas falsas lembranças.
Em
uma continuação da experiência, os pesquisadores pediram aos
voluntários que escrevessem um diário com as horas que tinham dormido e
outras características sobre a qualidade de seu sono durante uma semana.
Depois desse tempo, imagens sobre um crime foram mostradas a eles. Em
seguida, foi lido um relato dos fatos que incluía detalhes falsos.
Finalmente, observou-se que os 18% dos participantes do estudo que
tinham dormido menos de cinco horas incorporaram detalhes falsos,
enquanto entre os que tinham descansado bem, apenas 13% o fizeram. (MSN)
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