quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Duas a cada cinco crianças não são amamentadas na primeira hora de vida

amamentação após o nascimento (até uma hora depois) protege contra infecções e diminui a mortalidade infantil; apesar dos benefícios, contudo, só 78 milhões de crianças no mundo (3 em cada 5) são amamentadas nesse período, mostra relatório da Organização Mundial da Saúde e da Unicef (Agência das Nações Unidas para a Infância).

O documento foi divulgado para a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que ocorre entre os dias 1 e 7 de agosto. O aleitamento na primeira hora também estimula a produção do leite materno, e do colostro: substância amarelada, o primeiro leite produzido pela mãe após o parto. O documento analisa dados de amamentação de 76 países.

Ele é extremamente rico em anticorpos e nutrientes. O composto também é conhecido como "primeira vacina do bebê". Estudos citados no relatório das entidades mostram que os recém-nascidos que começaram a amamentar entre duas e 23 horas após o nascimento tiveram um risco 33% maior de morrer do que aqueles que começaram a amamentar dentro de uma hora após o nascimento.

"Mesmo um atraso de algumas horas após o nascimento pode representar consequências com risco de vida", dizem as entidades. Em alguns países, a amamentação nas primeiras horas pode ser a diferença entre a vida e a morte. O documento demonstra, no entanto, que a maioria dos bebês que não foram amamentados na primeira hora nasceu em países de baixa e média renda.

"Mães não estão recebendo apoio suficiente para amamentar dentro daqueles minutos cruciais após o nascimento, mesmo dos profissionais de saúde dentro dos hospitais”, diz Henrietta H. Fore, diretora da Unicef, em nota.

“Precisamos urgentemente ampliar o apoio às mães -- seja de membros da família, profissionais de saúde, empregadores e governos -- para que possam dar a seus filhos o começo que merecem”, diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em nota. As entidades também apresentaram dados da amamentação na 1ª hora por país.

No Brasil, dados de 2006 mostraram que 42,9% das crianças brasileiras tiveram iniciação precoce do aleitamento. Dados da Argentina de 2011 mostraram que 52,7% das crianças argentinas tinham acesso. No México, o índice era de 51% em 2016. A Unicef não recebeu dados de muitos países desenvolvidos, como Estados Unidos, França, e Alemanha.

Dentre os países com dados, entretanto, a distribuição muda no mundo: quase 9 em cada 10 bebês nascidos em Burundi e Sri Lanka são amamentados na primeira hora; já em países como Azerbaijão, esse índice é de apenas 2 em cada 10 bebês. Enquanto a média mundial é de que 42% das crianças recebem amamentação na primeira hora após o nascimento, essa taxa é de 52% na América Latina, e 35% no Oriente Médio e norte da África.

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